27 abril 2012

A Arte Barroca na Itália

A Arte Barroca na Itália  -  Idade Moderna

A segunda metade do século XVI, na Europa, foi marcada pelas reformas religiosas. Primeiro os Protestantes, depois a Contra-Reforma católica promovida pelo Papa a partir de Roma, impondo à Igreja e aos fiéis uma nova conduta.
Este panorama propicia que antes do final do século as ideias e as práticas da Renascença sejam questionadas e substituídas. Seja por uma nova postura da Igreja (censura, Santa Inquisição), ou pelos próprios anseios dos artistas em rever as artes por uma nova ótica, mais espiritual ou emocional, em contraponto ao racionalismo da época anterior.
Este período recebeu o nome de Barroco. A Arte Barroca originou-se na Itália (séc.XVII), mas não tardou a irradiar-se por outros países da Europa e chegar ao continente americano, trazida pelos colonizadores portugueses e espanhóis. Foi patrocinado pelas cortes e pela Igreja Católica que, inclusive, fez da arte seu grande meio de “propaganda”. Esta ideia também foi aprovada pelos governantes seculares para seus próprios fins, o que aumentou a produção de quadros e estátuas da Virgem Maria, mártires e santos, particularmente em estado de êxtase ou meditação.
Uma das maiores colocações do Barroco foi totalmente oposto à visão antropocêntrica do Renascimento, pois não interessava a perfeita beleza, o equilíbrio, a serenidade e a harmonia absoluta. Na verdade, os novos tempos exigiam uma postura interiorizada, uma procura da espiritualidade, algo extremamente comovente, para despertar a fé e o respeito aos dogmas, que não deixasse a menor dúvida das manifestações dos sentimentos humanos.

Dramaticidade é o aspecto fundamental da Arte Barroca. Tudo era passado e executado para aumentar a carga dramática das cenas pintadas, principalmente religiosas.

As composições são mais complexas e existem muitos gestos e movimentos. A luz também foi o que mais diferenciou a arte barroca das demais; funcionando como um banho sobre uma figura ou uma ação sempre
“teatral” e estudada como elemento dramático.

As obras barrocas romperam o equilíbrio entre o sentimento e a razão ou entre a arte e a ciência, que os artistas renascentistas procuraram realizar de forma muito consciente; na Arte Barroca predominam as emoções e não o racionalismo da Arte Renascentista.
É uma época de conflitos espirituais e religiosos. O homem se coloca em constante dualismo:
Paganismo X Cristianismo e Espírito X Matéria.

Características Gerais:
·         Predominam as emoções e não o racionalismo.
·         Busca de efeitos decorativos e visuais, através de curvas, colunas retorcidas.
·         Entrelaçamento entre a arquitetura e escultura.
·         Violentos contrastes de luz e sombra.
·     Pinturas com efeitos ilusionistas, dando-nos às vezes a impressão de ver o céu, tal a aparência de profundidade conseguida.

A Pintura Barroca
Na pintura Barroca, os pintores também alcançaram resultados fantásticos com efeitos do uso de luz. Não existindo padrão de beleza a ser seguido, a pintura barroca abriu um leque bastante extenso. Os pintores da época tinham aprendido muito com os antigos mestres, a tal ponto de poderem desenvolver ideia ou tema com extrema perfeição. Deixando de lado o padrão adotado para pintar o corpo humano como fizeram os pintores clássicos, retrataram o homem carregado de “humanidade”, corpos cansados e peles flácidas ou enrugadas que expressavam o sofrimento e purificação humana exigido pela igreja.

Características da Pintura Barroca:
·         Grande realismo e interesse pelo movimento e emoção.
·         Sombras projetadas.
·         Perspectiva é apenas sugerida.
·         Composição em diagonal.
·         Acentuado contrastes de claro-escuro.
·         Os temas mitológicos e religiosos são amplamente explorados.


Alguns artistas:        

      Caravaggio (1573-1610), Michelangelo Merisi (apelidado Caravaggio), por ter nascido em Caravaggio, Itália. Identificado como um artista Barroco, estilo do qual ele é o primeiro grande representante. Iniciou sua carreira como assistente de pintor.Caravaggio foi um artista de personalidade forte. O que melhor caracteriza a sua pintura é o modo revolucionário como ele usa a luz. Ela não aparece como reflexo da luz solar, mas é criada intencionalmente pelo artista, para dirigir a atenção do observador.

 Caravaggio, A Ceia em Emaús, 1600-01. Dim. 140 X 195 cm. Óleo sobre tela. Galeria Nacional, Londres.     

A Ceia em Emaús, causou grande polêmica na época com a igreja, apresentando um Cristo surpreendentemente “antiespiritual”, um jovem de rosto carnudo e mordaz, sem barba e sem dramaticidade. A fisionomia despretensiosa possibilita que o drama seja inerente ao episódio. Contrariando o que a igreja esperava: um cristo com a fisionomia cansada, desleixada, enfim, que causasse comoção e uma forma de chamar a atenção do expectador.


O quadro relativo ao episódio bíblico de Emaús reflete o momento em que Jesus abençoa a refeição, e se revela, de forma sobrenatural, aos seus interlocutores e provocando neles reações que vão desde o espanto (o da direita, de braços abertos), o choque (o da esquerda, que faz menção de se erguer), e o magnetismo que atrai toda a atenção (o que está em pé). observe a cesta de frutas na beirada da mesa, quase caindo. Tudo isso mostra características do barroco: gestos violentos, contrastes de luz e sombra.


      Tintoretto (1515-1549), Jacopo Comin (conhecido como Tintoretto). Tintoretto nasceu na cidade de
Veneza (Itália) Ainda jovem, ganha o apelido Tintoretto, pequeno tintureiro, uma alusão ao ofício do pai, especialista em tintura de seda. 
A produção artística de Tintoretto foi muito grande. Pintou temas religiosos, mitológicos e retratos, sempre com duas características bem marcantes: os corpos das figuras são mais expressivos do que os seus rostos e a luz e a cor tem grande intensidade. Obras em destaque: Cristo em Casa de Marta e Maria. 

Cristo em Casa de Marta e Maria. 1578, de Tintoretto.Dim. 170 X 145 cm. Óleo sobre tela. Pinacoteca , Munique.

   Cristo em Casa de Marta e Maria. Quando observamos essa tela, nosso olhar é dirigido por uma linha que parte da mulher aos pés de Cristo, passando pela mesa e alcançando as duas figuras ao fundo. Nessa composição em diagonal destaca-se a personagem em primeiro plano e, a seguir, aparecem Cristo e a segunda mulher, um pouco mais atrás. Essas três figuras refletem uma luz intensa, enquanto as que se encontram no segundo plano envolvem-se numa sombra e seus corpos recebem pouca luz. Depois de apreender o conjunto da cena, os olhos do observador começam a deter-se nos detalhes das vestes e do cenário que compõe o ambiente da casa. Essa forma de organizar a composição era quase uma regra para Tintoretto, pois, para ele, um quadro devia ser visto inicialmente como um grande conjunto e só depois percebido nos detalhes que o artista procurou trabalhar.




A Arquitetura Barroca
  A arquitetura Barroca parte dos princípios utilizados na arquitetura da Renascença, mas como resultado final elas divergem completamente.

O efeito proporcionado pela arquitetura barroca foi muito mais rebuscado, complexo e simbólico. Os elementos clássicos estão reunidos: colunas, frontões e cúpulas; porém o conjunto não segue a simplicidade harmônica e simétrica da arquitetura clássica.

Existe uma imponência na sua estrutura e nos detalhes bastante decorados. As colunas, por exemplo, são duplas ou espiraladas. Os interiores seguem os mesmos princípios. No caso das igrejas, todo o apelo sentimental da Arte Barroca foi intensamente decorado, pois os ambientes se propõem a mostrar o esplendor de Deus e o poder da Igreja Católica. Nos palácios o mesmo se repete: o barroco se adapta para glorificar o poder dos reis europeus que neste período começa a se fortificar. A arquitetura se destacou principalmente nos palácios e nas igrejas. A igreja católica queria proclamar o triunfo de sua fé e, por isso, realizou obras que impressionam pelo seu esplendor.

Características da Arquitetura Barroca:    
·         Ondulações.
·        
Efeitos ilusionista e decorativos.
·         Preocupação paisagística com grandes jardins.
                                                                                                                      
Praça de São Pedro, Vaticano, Roma.

Principal Arquiteto:                                                                             
- Bernini – Arquiteto, urbanista, decorador e escultor.

Fig.24.4. Escultura “Baldaquino da basílica de S.Pedro”, 1624-33.  Vaticano,Roma. Bernini.

Obra em destaque: A Praça de São Pedro, no Vaticano, (1657-1666), exemplo mais significativo da arquitetura e do urbanismo do século XVII, na Itália. Trata-se de uma praça elíptica cercada por duas grandes colunatas cobertas. É uma obra de grande porte, pois a colunata circular tem 17 metros de largura, 23 metros de altura e é composto por 284 colunas. Sobre essas colunas assenta-se uma imensa cornija sobre a qual estão 162 estátuas de 2,70 metros de altura.




- Borromini – Igreja Sant´Ágnes (1653-1657). Pietro da Cartona – Igreja Santa Maria Della Pace – (1656-1657).

                                              Escultura “Baldaquino da basílica de S.Pedro”, 1624-33.  Vaticano,Roma. Bernini.


A Escultura Barroca
A escultura levou ao máximo as produções do barroco. Um exemplo é a obra do escultor italiano Bernini, que fez esculturas retratando fielmente o homem em emoção e movimento. Predominam as linhas curvas, os drapeados das vestes e o uso do dourado. Os gestos e os rostos das personagens revelam emoções violentas e atingem uma dramaticidade desconhecida no Renascimento.

Principal Escultor:
- Bernini – Algumas de suas obras serviam de elementos decorativos das igrejas, como, por exemplo, o Baldaquino e a Cadeira de São Pedro, ambos na Basílica de São Pedro, no Vaticano.                                                                              

                                               O êxtase de Santa Tereza. 1645-52, mármore. Bernini.


A Arte Barroca na Espanha
  O Barroco espanhol destaca-se na arquitetura, principalmente nas portadas decoradas em relevo dos edifícios civis e religiosos. Na pintura apresenta características próprias como: o realismo e o domínio da técnica de pintar conservando influências do barroco italiano, principalmente no uso de luz e sombra.

Principais Artistas do Barroco Espanhol:
-    El Greco (1541-1614), nasceu em Creta. Suas obras têm como característica: a verticalidade das figuras. Essa peculiaridade pode ser observada nas obras: Espólio, A Ressurreição de Cristo, O Enterro do Conde de Orgaz.

     
Espólio, 1579, de El Greco. Óleo sobre tela. Dim.285 cm X 173 cm. Catedral de Toledo, Espanha. 
                                   
Velázquez (1599-1660), além de retratar as pessoas da corte espanhola do século XVII, suas obras tem como características: os rostos da nacionalidade espanhola, registro de tipos populares do seu país, documentando o dia-a-dia do povo espanhol num dado momento da história. Entre as obras que retratam a vida diária das pessoas simples estão: Velha Fritando Ovos, O Aguadeiro de Sevilha e As Meninas (Fig.1.5., pág.4). Em ambos os quadros o artista usa tons escuros para o fundo, deixando expostos à luz os objetos cotidianos das pessoas que quer valorizar. Dentre os retratos de pessoas da corte estão: As Meninas e O Conde Duque de Olivares.

Velha Fritando Ovos, 1618. Velazquez. National Gallery of Scotland.

“Velha Fritando Ovos”, mostra uma cozinheira idosa, sentada diante de um pequeno fogareiro no chão, a fritar ovos sobre um fogo a carvão. Os seus traços gastos, mas impregnados de nobreza, sob o lenço, pintados com pinceladas rápidas. Uma grandeza solene e meditativa caracteriza a mulher, e o garoto com um melão que estende uma garrafa de vinho observa-nos com uma gravidade semelhante. A representação de idades diferentes da vida recorda-nos o caráter precário das coisas. O ovo na mão da mulher evoca, numa associação conhecida na época, a instabilidade das coisas terrestres e uma existência no além. Um tom sombrio, indefinível, substitui o espaço muitas vezes sobrecarregado dos interiores das cozinhas holandesas. Norbert Wolf, Velázquez, edições Taschen.


Diego Velázquez, As Meninas, c.1656, 318 X 276 cm. Óleo sobre tela. Museu do Prado, Madri.



A Arte Barroca na Bélgica
    Nos países baixos, o Barroco desenvolveu-se em duas grandes direções, sobretudo na pintura. Na Bélgica, esse estilo manteve como característica as linhas movimentadas e a forte expressão emocional. Já na Holanda, ganhou aspectos mais próximos do espírito prático e austero do povo holandês. Por isso, a pintura desenvolveu uma tendência mais criativa, cujos temas preferidos foram as cenas da vida doméstica e social, trabalhadas com minucioso realismo.
                                                                                   
 
Peter Paul Rubens, Descida da Cruz, 1612-14. Dim. 420 X 310 cm. Óleo sobre tela. Catedral de Antúrpia. Bégica.

  Principais Artistas: 
 - Rubens (1577-1640), suas obras tem como características: a força das cores quentes. A cor sempre foi o elemento mais importante na pintura flamenga, e um exemplo disso são suas obras, geralmente no vestuário que se localizam as cores quentes o vermelho e o amarelo – que contrabalançam a luminosidade da pele clara das figuras humanas, como em: O Rapto das Filhas de Leucipo e Caçadas aos Leões. Além de colorista vibrante, Rubens se notabilizou por criar cenas que sugerem, a partir das linhas contorcidas dos corpos e das pregas das roupas, um intenso movimento.

- Hals (1581-1666), sua obra tem como característica: a importância da iluminação. A obra de Hals passou por uma evolução no domínio do uso da luz e sombra. De início predominam contrastes violentos, depois surgem os tons suavemente graduados e, por fim, um equilíbrio seguro da iluminação. Fazem parte de sua obra, os retratos individuais e alguns de grupos, que registram a fisionomia e os hábitos dos burgueses da Holanda do século XVII. Entre os individuais estão: O Alegre Bebedor e o Retrato de Isaac Abrahamsz.

  - Rembrandt (1606-1669), sua obra tem como características: a emoção por meio da gradação da claridade, que dirige nossa atenção, os meios-tons, as penumbras que envolvem áreas de luminosidade mais intensa. É assim, por exemplo, nas telas Mulher no Banho e Ronda Noturna. Mas é em seu quadro Lição de Anatomia do Doutor Tulp, que podemos notar a penumbra que indefine os espaços e o uso que fez da luz.

Rembrandt. Ronda Noturna. Dim. 359 X 438 cm. Óleo sobre tela. Rijksmuseum, Amsterdam. Holanda.

 A Lição de Anatomia do Dr. Tulp. Rembrandt, 1632. 


A obra de estilo Barroco “A Lição de Anatomia do Dr. Tulp”, de Rembrandt. Se observarmos bem esse quadro, podemos notar que foi o trabalho do pintor com a penumbra, que indefine os espaços e o uso que fez da luz - intensa no corpo do cadáver e amenizada nos rostos atentos e curiosos dos ouvintes, que estabelece o clima de descoberta e de pesquisa que a cena representa.

5 comentários:

  1. Muito bom! Extremamente objetivo e instrutivo. Parabéns!

    ResponderExcluir
  2. sensacional,era td q precisava para uma pesquisa sensacional, amei!

    ResponderExcluir
  3. Ótimo conteúdo, parabéns ! me ajudou bastante ..

    ResponderExcluir
  4. Sou estudante e precisei fazer um trabalho sobre o barroco italiano. Muito legal seu site e serviu para eu entender um pouco do barroco.

    ResponderExcluir